“Queda de 17,9% nas vendas internas no acumulado do ano indica que o custo elevado do crédito segue limitando tanto a renovação do parque produtivo quanto a expansão da capacidade instalada das empresas”
A indústria de máquinas e equipamentos continua operando em “um ambiente de forte fragilidade”, segundo avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Os resultados de maio, divulgados pela entidade, nesta terça-feira (30), mostram o fraco desempenho do setor, impactado pelas altas taxa de juros impostas pelo Banco Central.
“Os dados de receita doméstica mostram que a política monetária restritiva continua produzindo efeitos negativos relevantes. A queda de 17,9% nas vendas internas no acumulado do ano indica que o custo elevado do crédito segue limitando tanto a renovação do parque produtivo quanto a expansão da capacidade instalada das empresas”, diz a entidade.
A receita líquida total de vendas somou R$ 22,5 bilhões em maio, registrando queda de 1,2% frente a abril e retração de 20,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a queda chega a 13,9%, enquanto nos últimos doze meses o recuo já alcança 4,6%.
O consumo aparente (produção nacional mais importações, menos exportações) atingiu R$ 31,1 bilhões no mês, registrando alta de 11,6%, recuperando parte da queda de abril, mas 19,5% abaixo do registrado em maio de 2025. Nesse contexto, os investimentos em máquinas e equipamentos acumulam uma retração de 15% ao longo do acumulado do ano até maio.
“A desaceleração não está concentrada em um único segmento ou associada a um choque específico. Ela reflete um enfraquecimento mais amplo dos investimentos produtivos, consequência da combinação entre juros elevados, menor crescimento econômico e aumento da cautela empresarial”, assinala a entidade em nota.
“O período prolongado de juros elevados pode aprofundar a crise de investimentos do país”, alerta.











