Mais de 1,5 milhão de empresas foram empurradas para a inadimplência no país, o maior pico da história, segundo a Serasa Experian
Os juros do Banco Central (BC) empurraram mais de 1,5 milhão de empresas para inadimplência, de um ano para o outro, fazendo com que o indicador de companhias negativadas atingisse o maior pico de sua história, segundo a Serasa Experian.
Em números absolutos, o Brasil somou 9 milhões de empresas com seus CNPJs negativados em abril deste ano, o maior patamar da série – iniciada em janeiro de 2016. Em abril do ano passado, eram 7,5 milhões nestas condições.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, alerta que apesar do BC ter realizado dois cortes de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa básica de juros (Selic), entre 18 de março e 29 de abril deste ano, reduzindo o nível da taxa para 14,5% ao ano, o ambiente de crédito segue bastante restritivo para as companhias brasileiras.
“O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma Abdelmalack, em nota, ao avaliar que o “dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026”.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC irá se reunir nos próximos dias 17 e 18 de junho para definir os novos rumos da taxa básica de juros. Com o fim de manter os ganhos com as aplicações nas alturas, os bancos e instituições financeiras atuam, por meio de seus porta-vozes na mídia e de instrumentos de consulta e de projeções, caso do Focus do BC, para pressionar o Copom a cessar ou até elevar os juros neste novo encontro do colegiado.
Para as empresas, os juros em patamares baixos refletem-se no alívio das condições financeiras, já que as despesas com as taxas diminuem. Além disso, a redução dos juros permite que as companhias substituam dívidas antigas e caras por novas, com custos menores.
Abdelmalack reforça que as companhias continuam em um quadro bastante apertado. “Mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito”, argumenta e segue.
“A curva de juros continua em patamar de dois dígitos ao longo do tempo, o que traz dificuldades especialmente para empresas que dependem de financiamento e do mercado de capitais para estruturar suas dívidas. Enquanto não houver uma mudança mais estrutural nesse cenário, ainda é muito cedo para afirmar qualquer reversão da tendência observada nos últimos anos”, completa.
Na passagem de março para abril deste ano, Serviços (55,6%) foi o setor que concentrou o registro de empresas negativadas. Na sequência aparecem “Comércio” (32,4%), “Indústria” (8,1%) e o setor “Primário” (0,9%).
A economista ressalta, ainda, que a inadimplência também está ligada a uma parcela de empresas que buscam sua sustentação no capital de giro para manter suas operações.
“Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências. Isso prolonga o processo de regularização financeira”.











