O Ministério Público de São Paulo (MPSP) determinou, nesta quinta-feira (30), a abertura de um inquérito civil contra a ViaMobilidade para apurar as falhas constantes nas linhas de trens metropolitanos 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela concessionária, em São Paulo.
De acordo com o UOL, a promotoria recebeu representações contra a ViaMobilidade. No documento foi narrado diversas falhas na prestação de serviço pela concessionária, “quase que diárias”, na operação das linhas 8 e 9.
Portaria também cita o descarrilamento de um trem da linha 9 próximo à estação Berrine, na zona sul, no sentido Osasco, na noite do dia 26 de abril.
Equipes de manutenção trabalharam durante a madrugada, mas os vagões ainda estavam sobre os trilhos no horário de abertura das estações, segundo a concessionária. A operação só foi normalizada por volta das 8 horas da manhã da segunda-feira (27).
Trens passaram a circular por via única no trecho impactado. A medida fez com que os trens usassem apenas um trilho para os dois sentidos, o que aumentou os intervalos e trouxe lentidão na abertura das estações, transformando a segunda-feira do trabalhador paulistano que passa pela linha em um verdadeiro caos na ida ao trabalho.
A ViaMobilidade disse que acionou o PAESE durante o período para reforçar o transporte no trecho afetado, com quarenta ônibus mobilizados para atender o trajeto entre Granja Julieta e Pinheiros. Quantidade essa insuficiente para atender a demanda no horário de pico.
Esse foi o quarto descarrilamento registrado na Linha 9 desde que a ViaMobilidade assumiu a operação. Esse é o segundo descarrilamento em menos de um mês, caso semelhante ocorreu em 31 de março de 2026, próximo à estação Varginha.
Mas, infelizmente, não para por aí. Em 17 de novembro de 2023, perto da estação Santo Amaro; e em 28 de fevereiro de 2023, entre as estações Grajaú e Bruno Covas-Mendes/Vila Natal.
A linha 8-Diamante, também administrada pela empresa, teve seis descarrilamentos desde sua privatização. Foram dois casos em 2022, três em 2023 e um em 2024.
O inquérito também deve apurar se houve omissão da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O órgão do governo estadual, comandado então por Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o responsável por regular e fiscalizar os contratos de concessão de transporte.
Com a privatização das linhas de transporte sobre trilho, os casos de descarrilamento tem se tornado parte do cotidiano dos trabalhadores paulistanos e paulistas que dependem do serviço diariamente.
De acordo com levantamento divulgado pela TV Globo, a maioria dos descarrilamentos registrados em linhas de trens de passageiros na região metropolitana ocorreu em linhas operadas pela iniciativa privada, sendo 14 em linhas operadas pela ViaMobilidade. Foram:
- Linha 8-Diamante (ViaMobilidade): 9 casos
- Linha 9-Esmeralda (ViaMobilidade): 4 casos
- Linha 7-Rubi (CPTM): 2 casos
- Linha 11-Coral (CPTM): 1 caso
- Linha 5-Lilás (ViaMobilidade): 1 caso
- Linha 4-Amarela (ViaQuatro): 1 caso
O MPSP deu 15 dias para ViaMobilidade prestar esclarecimentos sobre o episódio do dia 26, com apresentação de documentos sobre o evento.
O promotor Silvio Antônio Marques pediu, ainda, à concessionária a identificação do problema que ocasionou o descarrilamento, bem como tomadas medidas para a correção e prevenção de novos acidentes.











