O petroleiro chinês Rich Starry atravessou o Estreito de Ormuz, nesta terça-feira (14), apesar do bloqueio naval dos Estados Unidos. A travessia do primeiro barco a sair do Golfo Pérsico ocorreu logo depois do inicio da vigência da medida anunciada por Trump.
Trata-se de um navio-tanque de médio porte que transporta aproximadamente 250.000 barris de metanol. Sua última parada foi o porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Dados das plataformas LSEG, MarineTraffic e Kpler confirmaram a passagem pelo ponto crucial.
O navio e seu proprietário, a Shanghai Xuanrun Shipping Co., haviam sido sancionados por Washington por negociarem com Teerã.
O AL – Monitor detalhou que o episódio expõe as dificuldades práticas de Washington em impor sanções extraterritoriais em uma rota marítima estratégica que não pode controlar integralmente.
O bloqueio entrou em vigor na segunda-feira, às 10h no horário da Costa Leste americana. A determinação de Donald Trump busca interceptar qualquer navio que tenha pago pedágio a Teerã ou utilizado portos iranianos após a data limite.
A passagem do Rich Starry está sendo interpretado por diversos veículos de mídia como que o bloqueio só está valendo para aqueles países dos quais os EUA não têm medo.
TRAVESSIA MOSTRA LIMITES DO PODER COERCITIVO DOS EUA
O Estreito de Ormuz representa via essencial para o transporte global de hidrocarbonetos. O sucesso da travessia do Rich Starry demonstra os limites concretos do poder coercitivo dos EUA quando confrontado com atores dispostos a preservar seus interesses comerciais.
O Rich Starry carregava metanol, mas o significado vai além da carga: ele representa um teste prático à eficácia de bloqueios navais anunciados sem consenso multilateral
O governo iraniano vê no episódio reforço à sua capacidade de manter fluxos comerciais mesmo sob pressão militar e diplomática intensa.
Para Pequim, o caso sinaliza autonomia crescente na defesa de suas rotas de importação de energia. A China não apenas critica as medidas unilaterais americanas como também permite que embarcações ligadas a seus interesses sigam operando.
BLOQUEIO É “PERIGOSO E IRRESPONSÁVEL”
A China classificou o bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos como “perigoso e irresponsável”, depois que o presidente Donald Trump ameaçou afundar qualquer embarcação que tentasse chegar ao país persa.
“O bloqueio do Estreito de Ormuz não é do interesse comum da comunidade internacional, é perigoso e irresponsável”, assinalou o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, na segunda-feira (13), durante uma reunião com Khaldoon Khalifa Al Mubarak, enviado especial do presidente dos Emirados Árabes Unidos para a China, acrescentando que “alcançar um cessar-fogo abrangente e duradouro por meios políticos e diplomáticos é a solução fundamental”.
“Os Estados Unidos intensificaram as operações militares e adotaram medidas de bloqueio seletivas, o que só irá exacerbar as tensões, minar o já frágil acordo de cessar-fogo e colocar ainda mais em risco a segurança da passagem pelo Estreito”, completou o porta-voz do Ministério, Guo Jiakun, em uma coletiva de imprensa.
Anteriormente, o presidente chinês, Xi Jinping, havia afirmado ao príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Khaled bin Mohammed Al Nahyan, que “não podemos permitir que o mundo retorne à lei da selva”.
OUTROS NAVIOS TAMBÉM SE DIRECIONAM AO ESTREITO
Em paralelo, outro petroleiro sancionado, chamado Handy Murlikishan, também seguia em direção ao estreito e deve carregar óleo combustível no Iraque, segundo a empresa de análise Kpler.
Segundo dados da LSEG, o navio-tanque de médio porte Peace Gulf, com bandeira do Panamá, está navegando rumo ao porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Os dados da Kpler mostram que o navio normalmente transporta nafta iraniana — matéria-prima petroquímica — para portos fora do Irã, no oeste da Ásia, para posterior envio à Ásia.










