“O que os brasileiros ganharam com a privatização da BR Distribuidora?”, questiona Lula

Presidente defendeu as estatais (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

“Gás de cozinha sai da Petrobrás por menos de R$ 40 e chega para o povo a R$ 170. Eu queria que alguém me explicasse”, cobrou o presidente. Bolsonaro privatizou a BR Distribuidora

O presidente Lula determinou, na quinta-feira (25), a retomada das obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS) e questionou “o que o Brasil e os brasileiros ganharam” com as privatizações de subsidiárias da Petrobrás.

Em discurso, Lula alertou que “vira e mexe aparece um governante que quer vender a Petrobrás” e “quando eles percebem que não vão poder vender, começam a vender pedaços”.

“Eu queria que aparecesse um gênio aqui e explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR Distribuidora. Para explicar ao mais humilde dos brasileiros o que o Brasil ganhou com a gente privatizando a BR”, continuou o presidente.

A BR Distribuidora, que era uma subsidiária da Petrobrás para distribuição e comercialização de combustíveis, começou a ser privatizada em 2017, tendo suas últimas ações vendidas pelo governo Bolsonaro, em 2021.

Lula também questionou “o que o Brasil ganhou quando venderam a Liquigás, uma empresa que eu tinha comprado para que a Petrobrás participasse da regulação do preço de gás de cozinha, que sai da Petrobrás por menos de R$ 40 e chega para o povo a R$ 170. Eu queria que alguém me explicasse”.

“Aliás, eu queria que alguém me explicasse por que privatizar a Eletrobrás. Qual foi o ganho do Brasil? O que o povo brasileiro ganhou? Qual foi a qualidade da energia que melhorou?”, completou. A Eletrobrás foi privatizada em 2022, também por Bolsonaro.

O presidente Lula afirmou que tem “muita gente travestida de investidor que, na verdade, é um vendedor de coisas públicas a preço de banana. Se ele quer ser um vendedor, e não um governante, ele que procure outra profissão”.

Presidente foi recepcionado pelos funcionários da empresa (Foto: Ricardo Stuckert – PR)

Durante o evento, Lula assinou os contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, que ficaram 12 anos paralisadas.

“Por que uma empresa dessa magnitude que ia produzir fertilizantes para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos nesse país ficou parada 12 anos?”, perguntou o presidente.

Enquanto essas obras ficaram paradas, o país esteve “pagando preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos no Brasil”. Ele lembrou que os preços aumentam “a cada guerra”.

“E o pobre brasileiro que vai comprar uma fruta, uma comida, paga o preço dessa guerra aqui no Brasil por irresponsabilidade de muita gente”, acrescentou.

Segundo Lula, agentes do agronegócio pressionaram para que o Brasil não produzisse fertilizantes, uma vez que, em anos anteriores, esses produtos eram baratos para serem importados.

O presidente destacou que o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo e tem a capacidade de ser “o celeiro do mundo”, mas houve muita “irresponsabilidade para deixar uma fábrica dessa parada”.

“Não é só pelos empregos que iria gerar, mas pela garantia de que o povo brasileiro vai ter uma certeza de futuro”, disse.

“Agora vai. Isso era para ter começado antes, mas tinha sempre uma dificuldade. Tinha sempre um japonês que ia entrar, um chinês, um russo, e ninguém entrou. Foi preciso a Petrobrás assumir o seu papel”, completou.

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