Petrobrás retoma obras na planta de fertilizantes em Três Lagoas no MS

Unidade no MS possui capacidade projetada de aproximadamente 3.600 toneladas/dia de ureia. (Foto: Mauricio Hallberg/Divulgação)

Com 81% das obras concluídas, Bolsonaro tentou sabotar o Brasil vendendo a fábrica em 2022 para estrangeiros

O Conselho Administrativo (CA) da Petrobrás aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), localizada em Três Lagoas (MS), com investimentos estimados para unidade em cerca de US$ 1 bilhão.  A deliberação foi tomada na segunda-feira (13) pelo colegiado e se deu após uma reavaliação do projeto, que confirmou a viabilidade técnica e econômica do empreendimento.

A iniciativa faz parte dos esforços do governo Lula de reduzir a dependência externa e impedir que a elevação de preços dos derivados de petróleo cheguem aos consumidores brasileiros.

O diretor de Processos Industriais da companhia, William França, afirmou que “ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes”.

“Esse movimento também gera emprego, renda e desenvolvimento, reforçando o papel da companhia como indutora do crescimento econômico e da segurança do abastecimento nacional”, completou.

O início da produção está previsto para 2029. William França destaca, ainda, que a localização da unidade é um diferencial competitivo. 

“Com o aumento da oferta dos produtos da UFN III e sua posição estratégica próxima aos principais mercados consumidores do Centro Oeste, Sul e Sudeste, reforçamos a relevância da unidade para o desenvolvimento regional e para o país”.

A UFN-III possui capacidade projetada de aproximadamente 3.600 toneladas/dia de ureia e 2.200 toneladas/dia de amônia. Desta última, 180 toneladas consistem em excedente disponível para comercialização.

“A amônia atua como matéria-prima fundamental para os setores de fertilizantes e petroquímico. Por sua vez, a ureia destaca-se como o fertilizante nitrogenado mais demandado no Brasil, com consumo nacional na ordem de 8 milhões de toneladas por ano. O agronegócio absorve esse volume em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de sua aplicação na pecuária como suplemento alimentar para ruminantes”, destaca a Petrobrás em nota.

A construção da unidade teve início em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014, com cerca de 81% das obras concluídas. No último ano do seu governo, Bolsonaro negociou a venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), para o grupo russo Acron.

Contudo, o negócio foi cancelado pela Petrobrás. Já sob o governo Lula, a estatal não apenas desistiu da venda, como também decidiu retomar a implantação da UFN III, após aprovação do CA em outubro de 2024.

A partir de agora, a gestão da Petrobrás dará sequência à assinatura dos contratos necessários para a retomada das obras, prevista ainda para o primeiro semestre deste ano. A expectativa é que sejam gerados cerca de 8 mil empregos durante as obras. 

A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, reforçou que a atratividade e viabilidade econômica da UFN III foi confirmada em todos os cenários. 

“Todo o processo de aprovação final de investimentos foi submetido às análises requeridas, respeitando rigorosamente as práticas de governança corporativa e os normativos internos vigentes. Trata-se de um projeto tecnicamente robusto, economicamente viável e plenamente aderente às diretrizes de disciplina de capital e governança da companhia”, disse.

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