Zohran Mamdani já havia prometido prender Netanyahu por crimes de guerra durante a campanha para prefeito
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que está consultando as autoridades municipais sobre a possibilidade de prender Netanyahu, caso ele visite a cidade para a Assembleia Geral da ONU em setembro, como tem afirmado o embaixador naziisraelense, Danny Danon.
Em entrevista ao The New York Times (NYT), divulgada neste sábado, Mamdani reiterou sua opinião de que Netanyahu, sobre quem já pesa um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional crimes contra a humanidade, especialmente na Faixa de Gaza, se preso na cidade, deve ser levado à justiça pelas agressões militares contra o povo palestino.
“Acredito que o primeiro-ministro Netanyahu pertence a Haia”, disse Mamdani ao programa The Interview, produzido pelo NYT.
“Ele é um criminoso de guerra que foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional”, acrescentou. “E o que vocês verão é que essa é uma opinião compartilhada por muitos, por causa das consequências de suas ações ao longo desses últimos anos”.
Mamdani, que tem se destacado como um defensor declarado da causa palestina, prometeu prender Netanyahu caso ele visitasse a Nova York já durante sua campanha para prefeito.
O prefeito afirmou estar em “conversas ativas” com o departamento jurídico da cidade sobre a possibilidade de ter autoridade para prender Netanyahu, caso ele viaje para Nova York.
“Faremos tudo o que a lei nos permitir fazer na cidade de Nova York, mas não criaremos nossas próprias leis para esse fim”, disse ele.
Questionado sobre o apelo de Mamdani para que fosse preso, Netanyahu disse ao radialista Sid Rosenberg, em tom provocativo, que acredita que Mamdani secretamente “odeia os Estados Unidos”.
Já o embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, líder de assaltantes de terras palestinas na Cisjordânia e que teve o agrément negado por Dilma quando na Presidência, também insistiu que Netanyahu estará presente na Assembleia Geral da ONU em Nova York, em setembro, apesar do risco de prisão.
Durante sua campanha para prefeito, Mamdani foi alvo frequente de insultos e ataques islamofóbicos. Rosenberg se referiu ao então candidato à prefeitura de Nova York como uma “barata”.
A eleição de Mamdani para prefeito e seus contínuos apelos por responsabilização de Netanyahu apontam para uma mudança drástica no apoio dos eleitores democratas a Israel. Agora há pouco 103 deputados democratas apoiaram uma proposta de corte no envio de dólares dos EUA a Israel. Não teve maioria, mas já é um questionamento de porte.
Além disso, uma pesquisa realizada em maio revelou que quase 75% democratas se opõem à ajuda dos EUA a Israel, um aumento em relação aos 45% registrados três anos atrás.
Quase metade dos entrevistados afirmou que seu partido apoiava demais Israel, cuja guerra em Gaza tem sido considerada um genocídio por um número crescente de organizações de direitos humanos, autoridades internacionais e acadêmicos.
Embora essa mudança ainda não tenha se traduzido em alterações políticas concretas na cúpula do partido, que inclui apoiadores fiéis de Israel, muitos políticos democratas começaram a ajustar suas posições.











