Sabesp privatizada reduz quadro em 30% e lidera reclamações no Procon-SP, afirma Sindicato

Foto: semil.sp.gov

Em artigo publicado em seu site, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) denuncia o verdadeiro “pesadelo” vivido pela população e trabalhadores da Sabesp após a privatização da empresa pelo governador Tarcísio de Freitas.

Com o título, “’Sucesso’ do mercado e pesadelo do povo: Sabesp privada corta 30% do pessoal e reclamações disparam”, o sindicato mostra que o que a empresa privatizada apresentou em recente evento com acionistas e investidores revela a verdadeira prioridade da nova gestão: “o lucro acima da vida e do serviço essencial”.

“Enquanto bancos e corretoras celebram a ‘otimização de custos’, o Sintaema e a população de São Paulo sentem na pele o rastro de desmonte deixado por essa política”, afirma o artigo.

O sindicato denuncia o dado mais “alarmante” apresentado pela empresa a investidores, como a redução drástica de aproximadamente 30% no quadro de funcionários que, na verdade, significa “demissão em massa”, “pressão e risco” para trabalhadores e população e “reflexo no serviço”.

“O mercado financeiro exalta a queda nas despesas operacionais, mas o que os analistas chamam de ‘eficiência’ traduz-se em saída de quase um terço dos trabalhadores e a perda de décadas de conhecimento técnico, prejudicando a operação e a manutenção do sistema”, diz a entidade.

Segundo o Sintaema, “a redução do quadro sobrecarrega quem fica, precarizando as condições de trabalho e aumentando drasticamente os riscos de acidentes e falhas graves”.

“A meta é transformar a água em mercadoria, priorizando o retorno financeiro aos acionistas em detrimento da justiça social e do acesso universal”, com isso, afirma o artigo, “a Sabesp assume o topo do ranking de queixas no Procon-SP”.

“O resultado dessa política de cortes não demorou a aparecer para o consumidor. Em 2025, a Sabesp — agora controlada pela Equatorial Energia — alcançou o vergonhoso 1º lugar no ranking de reclamações do Procon-SP. Os números expõem o caos gerado pela privatização da gestão Tarcísio de Freitas”.

O Sintaema mostra que os números não mentem: “2025: 6.879 queixas (quase o triplo de 2024 e quatro vezes mais que em 2023). A taxa de atendimento às reclamações foi de apenas 31%, deixando a maioria dos consumidores sem resposta. O órgão recebeu, em média, 19 reclamações por dia sobre a companhia”.

Conforme o sindicato, os investimentos apregoados são uma “falácia”. “A nova gestão anunciou um investimento (Capex) de R$ 20 bilhões para 2026. Porém, é preciso questionar: a que custo?”.

“Enquanto demite e ignora o Procon, a empresa foca na universalização acelerada apenas onde há retorno garantido e ‘recupera’ receitas revisando contratos e faturamentos, o que, na prática, significa contas mais altas para o povo”, alerta a entidade, afirmando ainda que “privatização é exclusão” e que segue “firme na denúncia deste modelo que vê o trabalhador como um custo a ser eliminado e o cidadão como uma cifra”.

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