Sindicato celebra retomada da Avibrás: “Seria um erro entregar ao capital estrangeiro”

Weller Gonçalves, poresidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Foto: Roosevelt Cássio

A retomada oficial das operações da Avibrás, na última segunda-feira (4), foi celebrada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, um dos entes responsáveis pela volta das operações da empresa.

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Foi o sindicato que manteve os trabalhadores, altamente especializados, engajados, fez pressão para que o governo federal agisse, possibilitou o cancelamento de demissões e negociou o pagamento de dívidas trabalhistas e salários atrasados, além de muita mobilização pela manutenção da companhia, que atua na indústria de alta tecnologia de defesa, se não estatizada, pelo menos nas mãos do capital nacional.

Foto: Roosevelt Cássio

Para o presidente da entidade, Weller Gonçalves, em entrevista à Sputnik Brasil, “o sentimento de ver os operários retornando à fábrica é de que valeu a pena a gente ter feito a luta, por mais que tenha sido cansativa, por mais que tenha sido desgastante, principalmente quando é uma situação em que os trabalhadores estão com salários atrasados”, afirmou.

“O erro que seria entregar a Avibrás ao capital estrangeiro”, ressaltou, citando as inúmeras investidas da australiana DefendTex, da saudita Black Storm Military e da chinesa Norinco, sofridas diante da grave crise financeira da empresa, e afirmou que entregá-la a qualquer um desses grupos “seria um crime lesa-pátria”.

“Esse foi um dos momentos mais difíceis que a gente enfrentou, porque o trabalhador com salário atrasado, ele não quer saber quem vai pagar. Ele quer é receber o que é justo, o que é legítimo”, disse.

Mas “a gente não tremeu a mão para falar, inclusive para os trabalhadores que estavam sem salários, que seria errado entregar a Avibrás ao capital estrangeiro”, salientou.

Foto: Roosevelt Cássio

No último dia 4, o sindicato organizou um ato de boas-vindas aos trabalhadores na portaria da fábrica, e reafirmou seu compromisso com a defesa dos empregos.

“A luta dos metalúrgicos da Avibras é emblemática. Trata-se de uma mobilização que extrapolou a esfera sindical e chegou à sociedade. O Brasil inteiro reconhece a importância estratégica da Avibras para o setor de Defesa. Se a fábrica volta a funcionar hoje, o mérito é todo de quem nunca desistiu”, afirmou o dirigente durante o ato.

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